sexta-feira, 2 de julho de 2010

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Virou.






Outra vez.
Quando parecemos esmagados, ela vira.
Quando parecemos esgotados, ela vira.
Quando parecemos cair, ela vira.
De pernas pro ar.
De cabeça pra baixo.
Nossa vida.
Nossa?
Dela.

Sem mais.

Nem por isso me abati.
Qualquer reação se torna ineficaz diante do terror.
Pra falar a verdade, menti.
Mostrei força, destreza.
Mostrei compaixão.
Talvez tenha mostrado demais.
Sem mais.
Transpareci.

quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Ela sabe.


Aquela mulher que esconde o rosto sob as sombras da tristeza,
Que nunca deixa a luz do amor penetrar,
Que abre mão do sorriso pela figura triste da desilusão,
Ela sabe o quanto eu amo estar vivo,
Sabe o quanto amo viver sem parar,
Sem saber o que me espera em cada esquina,
Sem querer saber o que esperar.
Sua morte me fascina, sua vida nunca mais.
Aquele amor que não sentia.
Nunca vou sentir jamais.

Mar de mim.



Como o brilho nos olhos daquela criança.
Que nunca viu o mar.
Que nunca soube amar.
Não sabe como amar.
Nunca teve amor.
Vive na imensidão de si.
Sem saber nadar.

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Será?

Um dia todos serão homens.
De palavra.
De atitude.
De coração aberto.
Chega de fingir.
Não quero saber o que você acha.
Aqui mando eu.
E pronto.

Espelho Da Tua Alma

Pra que se ressentir do que fala?
Então não fale!
Pense antes, pese a mão.
Não perca a razão.
Perdoe aquilo que não conhece.
Abra mão daquilo que precisa.
Tua felicidade se encontra no olhar.
Daquela criança que não para de amar.
Que te chama pela noite, sem reclamar.
Que te espera toda noite, sem demorar.
Aquele par de olhos nunca viu o mundo crú.
Conhece aquilo que aparece em você.
Não depende de nada, de niguém.
Só espera, quando chama, alguém que vem.

Fé em Deus.

Escuro.
Noite.
Frio.
O inferno é aqui.
Sempre foi.
Sempre vai ser.

Não sou eu!

Prefiro saber que você não me conhece.
Aguardo ansiosamente o dia em que não nos encontraremos.
Em nenhuma esquina, em nenhum lugar.
No bar que vai fechar, vazio, sem querer entrar.

Acredito que tudo que passa por mim voltará um dia.
Menos você.

Se um dia te amei, menti.
Se um dia planejei, esqueci.
Se um dia voltarei?
Sumi.

Chuva de Containers

Caiu o mundo sobre minha mente.
Horas atrás eu estava seco.
Horas atrás eu estava vivo.
Por onde ando eu já não sei, todas as ruas são iguais.
Todos os olhos são frios.
Toda frieza do amor.
Revela-se uma criatura deformada, sem alma.
Sem nexo.
Sem lado.
Sem sexo.
Pra que procurar?
Pra encontrar e depois perceber que não achou nada?
Prefiro evitar esse olhar.
Sua reprovação me condenaria.
Ao vazio.
Ao eterno.
Ao sublime viver sem saber.

domingo, 24 de agosto de 2008

Descanse sem paz.



Domingo chato.
Daqueles que nem tragédia na TV faz você sair da cama.
Tragédia essa que nos faz despertar a cada final de Domingo.
A cada final do final.
Domingo acaba tudo.
Domingo começa tudo de novo.
Quem sabe um dia o Domingo se cansa de ser chato?
Daí ele passa a se chamar Dormindo.
E não aparece pra trabalhar no Domingo.
Daí você deita, dorme, e sente falta.
Daí você acorda, levanta e vai procurar por ele.
Se você encontrar o Domingo dormindo, deixe.
Não há nada mais chato do que acordar Domingo.

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

Nó De Fumaça



Ele tocava violão na esquina.
Roubaram seu violão.
Ele me pede um cigarro.
Digo que não tenho.
Minto.
Minto mesmo, e daí?
Só tenho oito, vai me fazer falta logo mais.
Quem sabe quando eu mais precisasse, teria acabado.
Não dei mesmo.
Não vou dar, não adianta ficar olhando.
Ele vai almoçar alí mesmo, na calçada.
Comida doada.
Seca.
Sem Tubaína.
E o que ele vai fazer depois de comer?
Sem o violão?
Sem o cigarro?
Sem nada.
Fumar depois de comer é um vício dentro do vício de fumar.
Coisa boba, ninguém percebe.
Coisa boba todo mundo faz.
Não dei o cigarro, mas dei um Real.
Tubaína ainda não dá câncer, eu acho.

Alguma coisa acontece no meu coração...


De passagem pela cidade eu sempre me sinto triste com a miséria e a falta de carinho com que tratamos uns aos outros.
No farol, nas esquinas em qualquer lugar, a gente sempre se depara com um monte de injustiças, um monte de negligências, muitas delas criadas por nós.
Não importa a criança jogada, o velho dormindo sob a ponte, ou a puta que troca seu corpo pela pedra maldita.
Já não me importo se você concorda, se você se recorda de quando era criança e sonhava voar. Mais alto e mais longe que seus pais, que seus avós, que seus amigos todos jamais voaram.

E eu com isso?
E você com isso?

Problema seu.
Ou meu?