domingo, 24 de agosto de 2008

Descanse sem paz.



Domingo chato.
Daqueles que nem tragédia na TV faz você sair da cama.
Tragédia essa que nos faz despertar a cada final de Domingo.
A cada final do final.
Domingo acaba tudo.
Domingo começa tudo de novo.
Quem sabe um dia o Domingo se cansa de ser chato?
Daí ele passa a se chamar Dormindo.
E não aparece pra trabalhar no Domingo.
Daí você deita, dorme, e sente falta.
Daí você acorda, levanta e vai procurar por ele.
Se você encontrar o Domingo dormindo, deixe.
Não há nada mais chato do que acordar Domingo.

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

Nó De Fumaça



Ele tocava violão na esquina.
Roubaram seu violão.
Ele me pede um cigarro.
Digo que não tenho.
Minto.
Minto mesmo, e daí?
Só tenho oito, vai me fazer falta logo mais.
Quem sabe quando eu mais precisasse, teria acabado.
Não dei mesmo.
Não vou dar, não adianta ficar olhando.
Ele vai almoçar alí mesmo, na calçada.
Comida doada.
Seca.
Sem Tubaína.
E o que ele vai fazer depois de comer?
Sem o violão?
Sem o cigarro?
Sem nada.
Fumar depois de comer é um vício dentro do vício de fumar.
Coisa boba, ninguém percebe.
Coisa boba todo mundo faz.
Não dei o cigarro, mas dei um Real.
Tubaína ainda não dá câncer, eu acho.

Alguma coisa acontece no meu coração...


De passagem pela cidade eu sempre me sinto triste com a miséria e a falta de carinho com que tratamos uns aos outros.
No farol, nas esquinas em qualquer lugar, a gente sempre se depara com um monte de injustiças, um monte de negligências, muitas delas criadas por nós.
Não importa a criança jogada, o velho dormindo sob a ponte, ou a puta que troca seu corpo pela pedra maldita.
Já não me importo se você concorda, se você se recorda de quando era criança e sonhava voar. Mais alto e mais longe que seus pais, que seus avós, que seus amigos todos jamais voaram.

E eu com isso?
E você com isso?

Problema seu.
Ou meu?